Sindrome de desarmonia corporal

Programa de Classificação e Restauração da Harmonia do Contorno Corporal

O corpo humano tem sido admirado e enaltecido, desde os primórdios da história. A forma corporal retratada em inúmeras esculturas e pinturas, ao longo dos tempos, registra com muita propriedade a valorização desse atributo.

Nem sempre formas volumosas foram consideradas inestéticas. Até o final do século XIX, os contornos exuberantes eram considerados belos, sendo as mulheres magras sinônimos de pobreza e de doença. No início do século XX, sob influência europeia, iniciou-se uma época chamada de higienismo, com a valorização da mulher longilínea, com pele e cabelos claros.

Imagem sindrome da desarmonia corporal

A busca desta nova realidade, com expectativas cada vez maiores de bons resultados, motivou uma verdadeira revolução na indústria da beleza, estimulando a introdução de novos conceitos e métodos de abordagem.

Um corpo bem esculpido, com contornos definidos e harmônicos, sugere um estado de equilíbrio, alcançado com dieta saudável, exercícios físicos, tratamentos estéticos e, em alguns casos, com cirurgias plásticas.

Toda e qualquer alteração que venha a comprometer este estado de equilíbrio acaba por comprometer o contorno corporal, colaborando para o desenvolvimento do que modernamente chamamos de Síndrome de Desarmonia Corporal.

A Síndrome de Desarmonia Corporal consiste assim, em um conjunto de alterações estéticas como flacidez, lipodistrofia, celulite, estrias, alterações do complexo músculo-aponeurótico e posturais que acabam por comprometer a harmonia corporal.

A pele, responsável pelo revestimento corporal, repousa sobre o tecido celular subcutâneo (TCSC), traduzindo à superfície todo o detalhamento estrutural do corpo humano. Na avaliação da pele é importante analisar sua coloração, brilho, aspereza, espessura e resistência, além da presença de alterações como flacidez, estrias, cicatrizes inestéticas e alterações da pigmentação. Um contorno corporal bem apresentado, do ponto de vistaestrutural, com uma inadequada superfície de revestimento, acaba por ter sua beleza comprometida.

O TCSC, nas suas mais variadas espessuras, também exerce importante influência sobre contorno corporal. Este tecido é constantemente modelado por processos de produção e degradação denominados lipogênese e lipólise, respectivamente. A presença da lipodistrofia hipertrófica se caracteriza pelo aumento do volume dos adipócitos e, consequentemente, do panículo adiposo loco-regional. Na lipodistrofia hipotrófica ocorre uma redução do volume do adipócito, com a consequente redução da espessura do TCSC. O aumento do número de adipócitos caracteriza a chamada lipodistrofia hiperplásica.

Além das alterações acima citadas, as deformidades músculo-aponeuróticas como as hipotonias, hipotrofias e diástases acabam por proporcionar importantes comprometimentos da harmonia corporal.

A postura caracteriza-se como um composto de posições de diferentes articulações capaz de determinar o alinhamento do corpo com eficiências fisiológicas e biomecânicas máximas. A presença de alterações posturais como lordose e escoliose acaba por produzir desalinhamentos esqueléticos e, consequentemente, assimetrias também capazes de comprometer o contorno corporal.

Sendo assim, a utilização de um adequado sistema de avaliação capaz de auxiliar na propedêutica, no diagnóstico e na elaboração de terapias mais acertadas, a serem utilizadas na modelagem do contorno corporal, torna-se de grande importância.

O Programa de Classificação e de Restauração da Harmonia do Contorno Corporal proposto e divulgado por Boggio e col. em 2008, no 3º. Congresso Científico Latino-americano de Estética, em 2009, no 46o. Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica e em 2010, no 18º. Congresso Brasileiro de Medicina Estética vem sendo utilizado como importante ferramenta no tratamento da desarmonia corporal.

Segundo este programa de classificação, os pacientes são inicialmente divididos em dois grupos: ginóide ou androide.

Posteriormente, os pacientes são avaliados quanto a presença de alterações cutâneas, espessura e distribuição do panículo adiposo, além da competência dos complexos músculo-aponeuróticos. De acordo com as alterações encontradas, os pacientes são classificados em grupos variando de I a VI, sendo então sugeridos protocolos terapêuticos, para cada grupo, de maneira individualizada:

  • Grupo I – Caracteriza-se por ausência de excedente de pele na região abdominal, pequeno aumento do panículo adiposo infra-umbilical e ausência de alterações músculo-aponeuróticas. Dentre os métodos terapêuticos sugeridos para este grupo destacam-se: eletroporação, ultrassom focalizado de alta potência, infiltração subcutânea de drogas lipolíticas e a hidrolipoclasia. Do ponto de vista cirúrgico, está indicado para estes pacientes, lipoaspiração de pequeno volume.
  • Grupo II – Como no grupo I, os pacientes se caracterizam por ausência de alterações cutâneas e do complexo músculo-aponeurótico, apresentando pequeno aumento do panículo adiposo em regiões infra, peri e supra-umbilicale também nos flancos. Quanto as terapias a serem utilizadas, destacam-se as mesmas já sugeridas para o grupo I, uma vez que, estes grupos apresentam características similares. Em relação à indicação cirúrgica, a lipoaspiração é o método de escolha.
  • Grupo III – Este grupo é formado por pacientes que apresentam pequeno a médio excedente de pele infra-umbilical, moderado aumento do panículo adiposo em abdome, flancos e dorso, além de flacidez músculo-aponeurótica, associada ou não a pequena diástase dos reto-abdominais na região infra-umbilical. Para o tratamento da flacidez cutânea sugere-se o uso de microabrasão, microcorrente, radiofrequência, carboxiterapia e de estímulos transepiteliais. No tratamento da lipodistrofia faz-se a indicação dos mesmos métodos propostos para os grupos I e II. Devido o comprometimento músculo-aponeurótico, está indicado, neste grupo, o uso de correntes excito-motoras para otimização da biologia das células musculares, associada a atividade física monitorada. Quanto à indicação cirúrgica, a lipoaspiração associada ao mini-abdome, com ou sem a plicatura dos reto-abdominais, constitui-se no método de escolha.
  • Grupo IV – Neste grupo, os pacientes se caracterizam por importante excedente de pele infra-umbilical e pequeno à médio excedente supra-umbilical. O TCSC encontra-se moderadamente aumentado e difusamente distribuído em abdome, flancos e dorso. O complexo músculo-aponeurótico apresenta flacidez moderada e diástase dos reto-abdominais nas regiões infra e supra-umbilical. Por assemelharem-se aos pacientes do grupo III, porém com maior grau de comprometimento, aos pacientes deste grupo estão indicados os mesmos métodos dermatofuncionais sugeridos para o grupo anterior. No que se refere à indicação cirúrgica, a abdominoplastia é a técnica de escolha, associada ou não a lipoaspiração.
  • Grupo V – Os pacientes deste grupo apresentam importante excedente de pele infra e supra-umbilical, grande aumento do TCSC, difusamente distribuído, moderado acúmulo de gordura visceral e importante comprometimento do complexo músculo-aponeurótico. Estes pacientes devem ser, inicialmente, estimulados a perder peso, sendo posteriormente, indicados os mesmos métodos estéticos e cirúrgicos sugeridos para o grupo IV.
  • Grupo VI – Neste grupo encaixam-se os obesos mórbidos, com importante excedente de pele e de TCSC, com grande acúmulo de gordura visceral e comprometimento do complexo músculo-aponeurótico. Estes pacientes, inicialmente, precisam passar por grandes perdas ponderais. Após o emagrecimento há, invariavelmente, um grande excesso de pele que pode ser corrigido por técnicas cirúrgicas como a abdominoplastia clássica ou em âncora, assim como pela corpoplastia.

Uma vez concluída esta fase da avaliação, os pacientes são analisadosquanto a presença de alterações posturais, sendo, quando necessário, encaminhados para profissionais competentes para reavaliação e tratamento.

O Programa de Classificação e Restauração da Harmonia do Contorno Corporal, ao auxiliar na propedêutica e no diagnóstico das alterações estéticas do contorno corporal, proporciona condições para a elaboração de protocolos terapêuticos mais personalizados, específicos para cada uma das alterações apresentadas pelos pacientes, favorecendo desta maneira, a obtenção resultados melhores e mais duradouros.

A associação entre procedimentos dermatofuncionais e a cirurgia plástica tem se estreitado a cada dia, colaborando em muito no preparo dos pacientespara os procedimentos cirúrgicos, assim como, na recuperação e lapidação dos resultados.

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Dr. Ricardo Boggio

CRM/SP 95916 | RQE 30777

  • Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Residência Médica em Cirurgia Geral pela UNESP-Botucatu
  • Residência Médica em Cirurgia Plástica pelo Serviço de Cirurgia Plástica Oswaldo Cruz – SP

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