Envelhecimento Facial

O termo envelhecimento é empregado para denotar uma série de alterações que são clinicamente observadas com o passar do tempo. Todos os sistemas orgânicos são afetados negativamente à medida que o organismo envelhece. A taxa de envelhecimento difere entre os indivíduos devido à heterogeneidade genética, exposição a fatores ambientais e hábitos comportamentais.

O processo de envelhecimento pode ser classificado em envelhecimentointrínseco (cronológico) e extrínseco (fotoenvelhecimento). O envelhecimentointrínseco é aquele decorrente das alterações celulares que afetam de maneira tempo-dependente o funcionamento dos tecidos, enquanto que, o envelhecimento extrínseco é aquele decorrente dos efeitos deletérios do ambiente sobre o corpo humano.

Imagem Envelhecimento Facial

O aparecimento de rugas, ressecamento da pele, alterações no padrão depigmentação, perda de resistência e de elasticidade são sinais clínicoscaracterísticos do processo de envelhecimento cutâneo.

Na pele jovem, o epitélio se projeta para derme formando estruturas conhecidas por cristas epidérmicas e, em contrapartida, a derme se projeta em direção à epiderme formando as papilas dérmicas. Essa organização aumenta muito a superfície de contato, favorecendo a conexão epiderme-derme e aumentando adisponibilidade de nutrientes para a epiderme.

Os metabólitos necessários para a sobrevivência das células epidérmicas são fornecidos pelo tecido conjuntivo da derme, pois a epiderme é desprovida de vasos sanguíneos, ao contrário da derme que apresenta um rico leito vascular. Assim sendo, a interação derme-epiderme é extremamente importante não apenas do ponto de vista estrutural, como também funcional. Durante o processo de envelhecimento observa-se diminuição progressiva das papilas dérmicas, com consequente perda da superfície de contato epiderme-derme. As junções estabelecidas nessa interface tornam-se menos frequentes, fato que contribui para o enfraquecimento da junção epiderme-derme, aumentando a fragilidade da pele e tornando-a mais susceptível a lesões, mesmo nos pequenos traumas.

A epiderme sofre constante renovação celular e, portanto, a população de queratinócitos é mantida devido à atividade proliferativa das células localizadas na camada basal. A proliferação celular é regulada por mecanismos molecularescomplexos, contudo estudos mostram que o tempo médio para completa renovação da epiderme é de aproximadamente 20-30 dias em indivíduos jovens. Ao longo doprocesso de envelhecimento esse tempo torna-se mais longo. Há relatos na literatura mostrando que o tempo médio de renovação da epiderme cai em cerca de 30% e 50% aos 30 anos e 80 anos, respectivamente. Em paralelo, observa-se diminuição da espessura total da epiderme, sendo que a camada espinhosa é aporção mais atingida.

Além dos queratinócitos, outros tipos celulares são encontrados na epiderme:os melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele; as células de Langerhans,que desempenham importante papel na defesa imunológica; e as células de Merkel, que são mecanorrecptores de alto poder discriminatótio. Com o passar do tempo, osmelanócitos sofrem alterações fisiológicas, predispondo o aparecimento de pigmentação anárquica na pele (manchas); as células de Langerhans diminuem em número e em função, prejudicando os mecanismos normais de defesa da pele, e as células de Merkel passam por alterações fisiológicas que comprometem o adequado desempenho de suas funções.

Alterações na derme também são observadas ao longo do processo de envelhecimento. Ocorre uma drástica diminuição do leito capilar prejudicando acapacidade de termorregulação, de oxigenação, de hidratação e de disponibilidade de nutrientes. Dessa forma, a pele torna-se pálida e as células sofrem mudanças morfológicas e funcionais. O fibroblasto, principal célula da derme, responsável pela produção e manutenção da matriz extracelular (MEC), sofre uma drástica redução em número, além de um importante prejuízo na função, com uma diminuição significativa na síntese de colágeno e de fibras elásticas, favorecendo a instalação da atrofia cutânea e da flacidez.

Outra alteração importante sofrida pela derme ao longo do processo de envelhecimento, refere-se à redução da concentração de glicosaminoglicanos(GAGs), um polissacarídeo altamente higroscópio, que tem por função atrair água para a matriz extracelular, garantindo a hidratação da derme. Com o envelhecimento, há uma importante redução na quantidade de GAG na derme, favorecendo a instalação de graus variáveis de desidratação profunda.

A taxa de renovação dos elementos da matriz extracelular ocorre bem lentamente e deve-se a atividade coordenada de biossíntese e degradação dos elementos da MEC. As metaloproteinases (MMPs – do inglês, matrix metalloproteinase proteins) são membros de uma grande família de endopeptidases dependentes de zinco que degradam especificamente componentes da MEC. A MMP1 (também conhecida como colagenase 1) está envolvida com o processo normal de renovação das fibras colágenas, contudo em pele jovem e sadia, a expressão MMP1 é excessivamente baixa. No indivíduo idoso, mudanças no perfil de expressão dos genes envolvidos com a remodelação da MEC, determinam um aumento na expressão de MMP1, intensificando a degradação da matriz e, consequentemente, a atrofia cutânea.

Além das alterações cutâneas, importantes mudanças também ocorrem no tecido celular subcutâneo (TCSC). Nos indivíduos jovens, este plano anatômico encontra-se estruturado de maneira equilibrada, com adipócitos em número e volume adequado, proporcionando a face um revestimento apropriado. O tecido conjuntivo, que entremeia os adipócitos, sustenta o TCSC de forma a proporcionar a face contornos suáveis e harmoniosos. Com o processo de envelhecimento, os adipócitos perdem volume comprometendo o revestimento facial e favorecendo a instalação de um aspecto mais esqueletizado ao rosto, com maior contraste entre saliências e depressões da face. Com o enfraquecimento do tecido conjuntivo, devido a um desequilíbrio entre sua síntese e degradação, ocorre a instalação de flacidez no TCSC, com comprometimento do contorno facial, já alterado pela flacidez cutânea.

Se não bastassem as alterações cutâneas e de TCSC, importantes alterações musculares também ocorrem na face ao longo do envelhecimento. A exemplo do que acontece com o bíceps, retos abdominais, musculatura glútea e quadríceps, entre outros grupamentos musculares, os músculos da face também passam por comprometimento de tônus, trofismo e função. Com a perda do tônus muscular, ocorre a instalação da flacidez facial de origem muscular, ou seja, segmentos da face até então bem posicionados, graça ao tônus dos músculos elevadores preservado, sofrem descenso a favor dos vetores de tração impostos pelos músculos depressores e efeito gravitacional. A musculatura eutrófica no jovem é capaz de cobrir as proeminências ósseas, bem como áreas de depressão, colaborando com o TCSC no acolchoamento facial. Com o envelhecimento e atrofia muscular este efeito é minimizado e o rosto tende a assumir um aspecto mais esqueletizado. Com o comprometimento da biologia dos miócitos (células musculares) e, consequentemente, da função muscular, ocorre um comprometimento do metabolismo loco-regional com a redução do fluxo de sangue dos planos profundos para superfície, o que acaba por favorecer o sofrimento da pele suprajacente.

O entendimento pleno dos mecanismos que determinam o aparecimento dossinais clínicos do envelhecimento, bem como, a identificação de moléculas efetoras,e de demais fatores que aceleram sua instalação, é essencial para o desenvolvimento e/ou aprimoramento de programas clínicos que objetivam amenizar e/ou retardar os efeitos do processo de envelhecimento.

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Dr. Ricardo Boggio

CRM/SP 95916 | RQE 30777

  • Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Residência Médica em Cirurgia Geral pela UNESP-Botucatu
  • Residência Médica em Cirurgia Plástica pelo Serviço de Cirurgia Plástica Oswaldo Cruz – SP

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