Ginecomastia

Informações pré-cirúrgicas sobre ginecomastia

(Aprovado pela sociedade brasileira de cirurgia plástica)

O conhecimento e o entendimento das informações abaixo mencionadas são muito importantes antes da realização de qualquer cirurgia plástica. Estas informações poderão servir como um “manual de cabeceira”, caso você venha a se operar, recordando-lhe as instruções fornecidas durante a primeira consulta.

Imagem Ginecomastia

As condutas propostas serão conduzidas de acordo com os princípios éticos básicos de respeito pelo ser humano, da minimização de resultados insatisfatórios ou não desejado, dentro de uma conduta adequada e cientificamente aceita.

Existem alguns fatores na evolução da cirurgia que não dependem da atenção do cirurgião plástico, e, portanto, “não lhe será possível garantir resultados”. Assim, por exemplo, a qualidade de cicatrização que o(a) paciente irá apresentar está intimamente ligada a fatores hereditários e hormonais, além de outros elementos, que poderão influenciar no resultado final de uma cirurgia, sem que o cirurgião possa interferir.

Como resultado da cirurgia existirá(ão) uma (ou mais) cicatriz(es), que será(ão) permanente(s). Todos os esforços serão feitos para torná-la(s) o menos evidente possível. Uma técnica apurada e cientificamente aceita poderá colaborar no sentido de minimizar diversas dessas situações. A colaboração plena do(a) paciente, através do seguimento das instruções dadas pelo cirurgião, no pós-operatório também se reveste de grande importância na obtenção do resultado.

As cicatrizes são consequência da cirurgia, portanto, pondere bastante quanto à conveniência de conviver com elas após a cirurgia: elas nada mais são do que indícios deixados em lugar de outro defeito anteriormente existente na região operada.

Se houver uma evolução desfavorável da cicatriz, desde que a intervenção tenha sido realizada sob padrões técnicos, cientificamente aceitos, deverá ser investigado se o seu organismo é que não reagiu como se esperava. Outro fator importante quanto às cicatrizes e a sua evolução. Três períodos caracterizam o processo de maturação de uma cicatriz (períodos esses que poderão variar de tempo, dependendo de fatores individuais como: a região operada, espessura da pele, substâncias tóxicas, hormônios etc.)

  • O período imediato vai até o 30º dia após a cirurgia;
  • O período mediato vai do 30º dia até o 8º ou 12º mês;
  • O período tardio, após o 12º mês. Apesar da maioria já apresentar cicatrizes maduras nos 12 primeiros meses, alguns(as) pacientes apresentam modificações do aspecto cicatricial até mesmo após o 18º mês.

É importante o esclarecimento, ainda, sobre os seguintes pontos:

  • Poderá haver inchaço na área operada que, eventualmente, permanecerá por semanas, menos frequentemente por meses e, apesar de raro, poderá ser permanente.
  • Poderá haver alteração da pigmentação cutânea com aparecimento de manchas ou descoloração nas áreas operadas que poderão permanecer por alguns dias, semanas, menos frequentemente por meses e raramente permanentes.
  • A ação solar ou a iluminação fluorescente poderão ser prejudiciais, no período pós-operatório.
  • Poderá haver líquidos, sangue e/ou secreções acumulados nas áreas operadas, requerendo drenagem e/ou curativos cirúrgicos e/ou revisão cirúrgica em uma ou mais oportunidades.
  • Poderá haver áreas de pele, em maior ou menor extensão, com perda de vitalidade biológica, por redução da circulação sanguínea, acarretando alterações, podendo levar a ulcerações e até necrose de pele, que serão reparáveis através de curativos ou até em novas cirurgias, objetivando resultado o mais próximo possível da normalidade.
  • Poderá haver áreas de perda de sensibilidade nas partes operadas. Tais alterações poderão ser parciais ou totais por um período indeterminado de tempo e, apesar de raro, poderão ser permanentes.
  • Poderá haver dor ou prurido (coceira, ardor) no pós-operatório em maior ou menor grau de intensidade por um período de tempo indeterminado.
  • Ocasionalmente, poderá haver transtornos do comportamento afetivo, em geral, na forma de ansiedade, depressão ou outros estados psicológicos mais complexos.
  • É certo que tabagismo, uso de tóxicos, drogas e álcool são fatores que eventualmente não impedem a realização de cirurgias, mas podem determinar complicações pós-operatórias.
  • É sabido que durante o ato operatório existem aspectos que não podem ser previamente identificados e, por isso, eventualmente necessitarão de procedimentos adicionais ou diferentes daqueles inicialmente programados.
  • Caso haja necessidade de cirurgias complementares para melhorar o resultado obtido ou corrigir um insucesso eventual, está claro que os custos de material, da instituição hospitalar e de anestesia não são de responsabilidade do cirurgião e sim do paciente, mesmo quando não se estabeleçam honorários profissionais.

A ginecomastia é a cirurgia realizada para correção do aumento do volume mamário masculino, uni ou bilateralmente, objetivando-se uma harmonia entre as mamas e o tórax.

Perguntas e Respostas:

A cirurgia deixa cicatrizes?

Esta cirurgia permite-nos colocar as cicatrizes bastante disfarçadas, o que é muito conveniente nos primeiros meses. Para melhor esclarecê-la sobre a evolução cicatricial, vamos relatar os diversos períodos pelos quais as cicatrizes infalivelmente passarão:

  • Período imediato: vai até o 30ºdia e apresenta-se com aspecto pouco visível. Alguns casos apresentam uma discreta reação aos pontos ou ao curativo.
  • Período mediato: vai do 30º dia até o 12º mês. Neste período há o espessamento natural da cicatriz, bem como se inicia uma mudança de sua cor, passando para mais escuro que vai, aos poucos, clareando. Não podemos apressar o processo natural da cicatrização, e o período tardio geralmente diminui os vestígios cicatriciais.
  • Período tardio: vai do 12º ao 18º mês. Neste período, a cicatriz começa a tornar-se mais clara e menos consistente, atingindo, assim, o seu aspecto definitivo. Qualquer avaliação do resultado definitivo da cirurgia, no tocante à cicatriz, deverá ser feita após este período.

Onde se localizam as cicatrizes?

As cicatrizes podem ser peri-areolares (ao redor dos mamilos), quando houver a necessidade de ressecção de glândula, ou pequenas incisões de cerca de 1cm nos sulcos mamários, quando optar-se pela lipoaspiração apenas. Em casos mais severos, com grande volume mamário ou na presença de importante flacidez de pele (excesso de pele), normalmente as cicatrizes são mais longas, estendendo-se verticalmente e no polo inferior das mamas, na forma de “t” invertido.

Como ficarão as cicatrizes?

As cicatrizes serão permanentes, e vão se modificando com o decorrer do tempo. Cada paciente comporta-se diferentemente de outro, em relação à evolução das cicatrizes, podendo, mesmo, em alguns casos, tornar-se imperceptível.

Certos pacientes podem apresentar tendência à cicatrização inestética (cicatriz hipertrófica e quelóide). Este fato deverá ser discutido, durante a consulta inicial, bem como suas características familiares. Pessoas de pele clara tendem a desenvolver menos este tipo de cicatrização. Pequenas deiscências (abertura da cicatriz) podem ocorrer, principalmente, nas grandes ressecções de pele, assim como pequenas aderências, mais comuns nas cicatrizes peri-areolares.

Vários recursos clínicos e cirúrgicos nos permitem melhorar tais cicatrizes inestéticas, na época adequada. A cicatriz hipertrófica ou quelóide, não devem ser confundidas, entretanto, com a evolução natural do período mediato da cicatrização. Qualquer dúvida a respeito da sua evolução cicatricial deverá ser esclarecida durante seus retornos pós-operatórios, quando se pode fazer a avaliação da fase em que se encontra.

Existe correção para cicatrizes hipertróficas?

Vários recursos clínicos e cirúrgicos nos permitem melhorar tais cicatrizes inestéticas, na época adequada. Não se deve confundir, entretanto, o “período mediato” da cicatrização normal (do 30º dia até o 12º mês) como sendo uma complicação cicatricial. Qualquer dúvida a respeito da sua evolução deverá ser esclarecida com seu médico.

Como ficarão as mamas no pós-operatório?

O intuito da cirurgia é proporcionar uma harmonia entre o volume das mamas e o tamanho do tórax. A mama operada passará por vários períodos evolutivos em função do processo cicatricial.

  • Período imediato: vai até o 30º dia. Neste período, apesar das mamas se apresentarem com aspecto melhorado, sua forma e volume ainda estão aquém do resultado planejado. Podem-se sentir nódulos, áreas endurecidas e aderências.
  • Período mediato: vai do 30º dia até o 3º mês – neste período, a mama começa a apresentar uma evolução que tende à forma definitiva. Ainda existe, neste período, certo grau de “inchaço” das mamas; além disso, o aspecto cicatricial encontra-se em plena fase de transição.
  • Período tardio:vai do 3º até o 18º mês. É o período em que a mama atinge seu aspecto definitivo (cicatriz, forma, consistência, volume, sensibilidade, etc.).

Qual o tipo da anestesia utilizada?

Normalmente local ou peri-dural com sedação. A anestesia geral pode ser utilizada em alguns casos.

Quanto tempo dura o ato cirúrgico?

Em média de 1 à 2 horas. Entretanto, o tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência do paciente no ambiente de centro cirúrgico, pois, esta permanência envolve também o período de preparação anestésica e recuperação pós-operatória.

Qual o período de internação?

De 12 a 24 horas.

O pós-operatório desta cirúrgica é doloroso?

Eventualmente poderá ocorrer manifestação dolorosa, geralmente associada ao movimento dos braços, que costuma regredir com analgésicos comuns.

São utilizados curativos?

Sim. Curativos elásticos e/ou modeladores, que devem ser trocados pelo médico.

Quando são retirados os pontos?

Entre o 6o. E o 8 o. Dia pós-operatório. Em alguns casos são utilizados fios absorvíveis, que não precisam ser retirados.

Quando poderei retornar aos meus exercícios?

Depende do tipo de exercícios e da evolução individual, não existe um período padrão. Exercícios pesados devem aguardar de 30 a 40 dias.

Recomendações pré-operatórias:

  1. Obedecer às instruções dadas para a internação.
  2. Comunicar qualquer anormalidade que eventualmente ocorra, quanto ao seu estado geral.
  3. Evitar o uso de toda e qualquer medicação sem prévia autorização médica.
  4. Suspender o tabagismo 30 dias antes da cirurgia, devido o risco de trombose e necroses de pele.
  5. Vir “em jejum absoluto” de no mínimo 8 horas (inclusive água).
  6. Não levar objetos de valor para o hospital.
  7. Vir acompanhado para a internação.
  8. Evitar uso de brincos anéis, alianças, piercings, etc.
  9. Chegar ao hospital 1 hora antes do horário previsto para o início da cirurgia.
  10. Levar todos os exames pré-operatórios solicitados para o hospital no dia da cirurgia.

Recomendações pós-operatórias:

  1. Lembra-se que não está doente, porém, evite esforços principalmente na primeira semana.
  2. Deitar-se apenas de barriga para cima nos primeiros 15 dias de pós-operatório.
  3. Não dirigir durante 15 dias.
  4. Evite molhar o curativo, até que seja autorizado a fazê-lo.
  5. Não se exponha ao sol ou friagem, até segunda ordem.
  6. Siga rigorosamente as prescrições médicas.
  7. Alimentação normal a partir do segundo dia, principalmente à base de proteínas (carnes, leite, ovos) e vitaminas (frutas).
  8. Voltar ao consultório para curativos subseqüentes e controle pós-operatórios nos dias e horários estipulados.
  9. Mantenha a malha cirúrgica durante todo período estipulado.
  10. As drenagens linfáticas, assim como os demais cuidados dermato-funcionais, devem ser realizadas conforme orientação médica, a fim de otimizar a evolução pós-operatória.

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Dr. Ricardo Boggio

CRM/SP 95916 | RQE 30777

  • Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Residência Médica em Cirurgia Geral pela UNESP-Botucatu
  • Residência Médica em Cirurgia Plástica pelo Serviço de Cirurgia Plástica Oswaldo Cruz – SP

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